6 de março de 2012

Leitura e Escrita na Educação Infantil


O mundo atual é caracterizado pela presença da escrita e da cultura letrada, sobretudo nos grandes centros urbanos. O papel da educação é sensibilizar as crianças para os diversos portadores de textos simbólicos existentes: letreiros, anúncios, rótulos, placas, sinais, símbolos, livros, revistas, computadores, Internet...
Nos espaços das pré-escolas, materiais variados podem vir a despertar a curiosidade infantil para a leitura e para a escrita, desde que mediados devidamente pelos educadores.           
Junqueira Filho (2001) coloca que devemos estar preparados para responder à curiosidade das crianças, não desperdiçando nem lhes negando o conhecimento a que têm direito, a fim de não desanimá-las e de não confundi-las, nem empobrecê-las nas suas iniciativas de se relacionar com a complexidade do mundo.
Mas o que fazer? Isso significa que devemos iniciar a alfabetização mais cedo? O que oferecer às crianças? O que podemos esperar com relação à leitura e à escrita na Ed. Infantil?
Para atender a curiosidade das crianças, o trabalho na E. I. deve encarar a leitura e a escrita como processos, explorando-as, sem, contudo ter o objetivo e o compromisso de que a criança chegue ao final da Educação Infantil, necessariamente, lendo e escrevendo.
A acentuada modificação do ambiente sociocultural, incluindo a linguagem midiática e a informática, que hoje circunda a maioria das crianças desde bem pequenas, pode instigar a sua curiosidade e fazê-las avançar no aprendizado da leitura e da escrita. O importante é perceber a alfabetização como parte de um processo maior de construção de significações, que se dá de diferentes maneiras em cada grupo social.

Em relação à escrita na Educação Infantil, o que se faz urgente é derrubar o muro entre a escola e o que ocorre do lado de fora. Ou seja, contribuir para que a criança seja capaz de encontrar na Educação Infantil os vários tipos de textos que a intrigam, desafiam e lhe asseguram um lugar de leitora.

O que não se pode perder de vista é que a leitura e a escrita precisam se constituir em uma necessidade para a criança, devendo ter significado, relevância.

Como trabalhar com a linguagem escrita na Educação Infantil?

A leitura deve estar sempre presente na Educação Infantil. Quando falamos em leitura, pensamos também em ir além das possibilidades que a escrita nos propõe. Pensamos em atividades que envolvam a criança pequena nas infinitas formas de conhecimento e reconhecimento do mundo que nos abraça: a leitura do corpo, dos objetos pessoais, das expressões artísticas, do espaço da creche ou da pré-escola, dos alimentos, da higiene... Enfim, pensamos em infinitas possibilidades de ler o mundo.
É claro que, permeando todo esse processo, a roda de contação de histórias também deve ser uma prática cotidiana. As histórias infantis alimentam a imaginação da criança, liberam seu pensamento, ao mesmo tempo em que respondem às necessidades afetivas e intelectuais, favorecendo, assim, um aprendizado significativo da leitura e da escrita. É freqüente em nossa prática presenciar crianças demonstrando interesse por ouvir uma história já conhecida, verbalizando esse pedido ou demonstrando, por sorrisos, gestos e sons, alegria.
Constatamos, nessas situações, como as crianças apreciam reconhecer o enredo e detalhes do texto, bem como esperar pela seqüência e emoções por ele provocadas. Essas evidências revelam que a criança que escuta muitas histórias tem a oportunidade de construir vários conhecimentos sobre a linguagem escrita.
Além das histórias, outros textos podem e devem ser trazidos para a roda de leitura e para as atividades cotidianas: poesias, parlendas, trava-línguas, embalagens, cartazes de propagandas, nomes das crianças... Essa variedade de textos pode dar asas à imaginação e propiciar inúmeras atividades que levem o grupo a testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias – função social da escrita.
Na Educação Infantil, se acreditássemos que a criança não sabe nada sobre a escrita, antes de ser formalmente ensinada, poderíamos pensar que a sua aproximação com a mesma se daria em um contexto de ensino em que ela ficaria passiva, desenvolvendo atividades repetitivas. Nesse caso, seria inevitável lamentar a perda do lúdico, do criativo e de todas as propostas interessantes que a Educação Infantil proporciona.
A criança convive com a leitura e a escrita no seu cotidiano e pensa nessa questão desde bem cedo. Uma das primeiras providências é deixá-la mostrar o que já conhece, do jeito que souber. Por que não?
Uma das responsabilidades da Educação é fazer com que a criança conquiste uma maior capacidade de comunicação, usando também a linguagem escrita, que é um objeto sociocultural de conhecimento presente na realidade em que vivemos. Cabe a nós, educadores, garantir que a criança viva, com freqüência e qualidade, interações com esse objeto do conhecimento.
Oportunizar o contato com os diversos tipos de texto e favorecer a observação de práticas sociais de leitura e de escrita, nas quais suas diferentes funções e características sejam consideradas, mais do que nunca se faz necessário, tendo em vista as desigualdades vividas em nossa sociedade.

Como o trabalho na E. I. possibilita o acesso às diferentes linguagens?

Falar, ler e escrever são ações que se espera que sejam praticadas por todos autonomamente. Vale considerar ainda que a possibilidade de cada um se expressar não se restringe ao uso da palavra falada, escrita ou lida.
O favorecimento do trabalho com todas as formas de linguagens deve pressupor ampla liberdade de comunicação e de expressão. As crianças cantam, dançam, criam diferentes ritmos e sons, se expressam com diferentes materiais. Teatralizando, musicalizando, movimentando, rabiscando, desenhando, pintando e modelando, elas mostram como pensam e sentem o mundo em sua volta.
Jogos e brinquedos musicais da cultura infantil são fundamentais, principalmente as cantigas de ninar, as parlendas, as canções de roda, as adivinhas, etc.

Multieducação:
Educação Infantil:
Revendo percursos no
diálogo com os educadores
2. ed. Rio de Janeiro, 2007.
(Série Temas em Debate)
(encontrado na net)


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